terça-feira, 21 de agosto de 2012


POLÍTICA
A CONDUTA DO CANDIDATO É DECISIVA
Teólogo analisa eleições de 2010 e discute política e fé

O lançamento do livro “Entre Deus, Diabo e Dilma – Messianismo Evangélico nas Eleições de 2010”, de Leandro Seawright Alonso, na última semana, suscitou um grande debate sobre o tema fé, religião e política. Estudiosos e especialistas levantaram e discutiram questões polêmicas que estão cada vez mais presentes no cenário político brasileiro. Se declarar a favor/contra do casamento gay, aborto e outros temas que são contundes para a Igreja têm aberto portas para que muitos políticos possam se promover e ganhar votos. Na última semana houve um debate com a participação de especialistas na Universidade Metodista para discutir a relação dos evangélicos e o voto.
De acordo com o professor Oswaldo Oliveira Santos Junior, da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo, está mais fácil para os políticos falar de temas que são ligados à religião, do que sobre saúde pública, educação e cidadania.Segundo o IBGE, o número de evangélicos no país aumentou em 22,2% em 2010 com 42,3 milhões de pessoas adeptas da mesma fé. Os partidos políticos procuram maneiras de dialogar com este grupo em ascensão, e tomam para si opiniões que estão dentro do contexto bíblico.
Nas eleições presidenciais de 2010, muitos analistas acreditam que os evangélicos foram determinantes para a realização de um segundo turno. Questões como a legalização do aborto e o casamento homossexual passaram a ser debatidos também nos púlpitos. José Serra (PSDB) teve o apoio de líderes como Silas Malafaia e Valdomiro Santiago em sua campanha. Já Dilma Rousseff (PT) foi amplamente criticada pela ala conservadora do catolicismo, mas teve ao seu lado líderes da Assembleia de Deus, Renascer e outras denominações.
O autor de ‘Entre Deus, Diabo e Dilma’, Leandro Alonso, defende a idéia de que os evangélicos votam a partir dos seus valores, e que a conduta do candidato é um fator decisivo para a escolha. Usando citações do sociólogo Flávio Pierrucit (1945-2012) o professor argumenta que não existe mais o coronelismo da igreja votar em quem o pastor manda. “Não existe voto religioso, mas a religião pode levar o cidadão a não escolher determinado candidato que apoia bandeiras contrárias a sua fé”, explica. Como nas eleições de 2010, as eleições municipais podem ser decididas pelos evangélicos. As pautas religiosas e os elementos agregados á uma campanha, pode levar o candidato a utilizar da religião para ganhar o pleito. No contexto político, são manipulados temas como educação, fome e saúde, para se falar naquilo que o eleitor deposita sua fé e seus princípios de vida.
Jesus curou e multiplicou os pães tudo para garantir a vida das pessoas a seu redor, porque agora os políticos não se norteiam mais por essas questões centrais que são básicas á vida e falam apenas de assuntos polêmicos de determinadas crenças?A exemplo disso, temos o presidente dos Estados Unidos , Barack Obama, candidato á reeleição que se declarou a favor da casamento gay. Após o anunciou a intenção de voto para o atual presidente aumentou em 24%.
A relevância e o impacto que as crenças e a fé têm dentro do cenário político são indiscutíveis, entretanto, segundo a Bíblia: “Vós sois sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5, 13 e 14), ou seja, a Igreja deve pautar o mundo e não o mundo a Igreja. Para o teólogo a Igreja deve ser independente de qualquer partido político, e ter voz profética que anuncia a vida e denuncia quaisquer sinais de morte. Ele afirma ainda, que os líderes religiosos têm que ter a preocupação de reafirmar os valores bíblicos e não se deixarem levar pelo uso indevido da religião na política.

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