POLÍTICA
A CONDUTA DO CANDIDATO É DECISIVA
Teólogo analisa eleições de 2010 e discute política e fé
O
lançamento do livro “Entre Deus, Diabo e Dilma – Messianismo Evangélico
nas Eleições de 2010”, de Leandro Seawright Alonso, na última semana,
suscitou um grande debate sobre o tema fé, religião e política.
Estudiosos e especialistas levantaram e discutiram questões polêmicas
que estão cada vez mais presentes no cenário político brasileiro. Se
declarar a favor/contra do casamento gay, aborto e outros temas que são
contundes para a Igreja têm aberto portas para que muitos políticos
possam se promover e ganhar votos. Na última semana houve um debate com a
participação de especialistas na Universidade Metodista para discutir a
relação dos evangélicos e o voto.
De
acordo com o professor Oswaldo Oliveira Santos Junior, da Faculdade de
Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo, está mais
fácil para os políticos falar de temas que são ligados à religião, do
que sobre saúde pública, educação e cidadania.Segundo o IBGE, o número
de evangélicos no país aumentou em 22,2% em 2010 com 42,3 milhões de
pessoas adeptas da mesma fé. Os partidos políticos procuram maneiras de
dialogar com este grupo em ascensão, e tomam para si opiniões que estão
dentro do contexto bíblico.
Nas
eleições presidenciais de 2010, muitos analistas acreditam que os
evangélicos foram determinantes para a realização de um segundo turno.
Questões como a legalização do aborto e o casamento homossexual passaram
a ser debatidos também nos púlpitos. José Serra (PSDB) teve o apoio de
líderes como Silas Malafaia e Valdomiro Santiago em sua campanha. Já
Dilma Rousseff (PT) foi amplamente criticada pela ala conservadora do
catolicismo, mas teve ao seu lado líderes da Assembleia de Deus,
Renascer e outras denominações.
O
autor de ‘Entre Deus, Diabo e Dilma’, Leandro Alonso, defende a idéia
de que os evangélicos votam a partir dos seus valores, e que a conduta
do candidato é um fator decisivo para a escolha. Usando citações do
sociólogo Flávio Pierrucit (1945-2012) o professor argumenta que não
existe mais o coronelismo da igreja votar em quem o pastor manda. “Não
existe voto religioso, mas a religião pode levar o cidadão a não
escolher determinado candidato que apoia bandeiras contrárias a sua fé”,
explica. Como nas eleições de 2010, as eleições municipais podem ser
decididas pelos evangélicos. As pautas religiosas e os elementos
agregados á uma campanha, pode levar o candidato a utilizar da religião
para ganhar o pleito. No contexto político, são manipulados temas como
educação, fome e saúde, para se falar naquilo que o eleitor deposita sua
fé e seus princípios de vida.
Jesus
curou e multiplicou os pães tudo para garantir a vida das pessoas a seu
redor, porque agora os políticos não se norteiam mais por essas
questões centrais que são básicas á vida e falam apenas de assuntos
polêmicos de determinadas crenças?A exemplo disso, temos o presidente
dos Estados Unidos , Barack Obama, candidato á reeleição que se declarou
a favor da casamento gay. Após o anunciou a intenção de voto para o
atual presidente aumentou em 24%.
A
relevância e o impacto que as crenças e a fé têm dentro do cenário
político são indiscutíveis, entretanto, segundo a Bíblia: “Vós sois sal
da terra e luz do mundo” (Mateus 5, 13 e 14), ou seja, a Igreja deve
pautar o mundo e não o mundo a Igreja. Para o teólogo a Igreja deve ser
independente de qualquer partido político, e ter voz profética que
anuncia a vida e denuncia quaisquer sinais de morte. Ele afirma ainda,
que os líderes religiosos têm que ter a preocupação de reafirmar os
valores bíblicos e não se deixarem levar pelo uso indevido da religião
na política.
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